Saturday, December 22, 2012

Transeunte

     Uma despedida inquieta, sorrisos que transcenderam os lábios e uma tempestade de lembranças recentes. Resume meu eu até agora. Entro nesse quarto - cômodo no qual se resume minha liberdade - e o que me invade as narinas é o perfume, aquele que estava tão próximo de mim a pouco. Não só o perfume, o ser inteiro. Mas é o que me resta, a fragrância impregnada no algodão das minhas cobertas, o DNA preso nas fibras da minha fronha de travesseiro, talvez. E literalmente, um livro na estante. Como podes me conhecer tão bem assim em tão pouco tempo, moça? Conhecer tão bem a ponto de satisfazer vontades, digo, e com efeito. Ah, "volte logo!", é o que me vem a mente a duzentos batimentos cardíacos por minuto, mesmo tendo ciência de que demorará um pouco. Pouco por si só, pois sei que se camuflarão de eternidades ao meu ver. Mas não importa, tudo passa, esse tempo também passará. E rápido, assim espero!


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