Thursday, September 27, 2012

Like resignation [...]

     Cá estou eu, ainda em pé, só não sei quanto tempo me resta. Na verdade apenas o que sei, é que frustrei minhas expectativas quanto a isso. Calme! Não leve tudo tão a sério, pegue um pouco mais leve, se possível for.
     Quero dizer que estou aqui, em um flash-back de pensamentos, lembrando que entrei em acordo comigo mesmo, dizendo que forçaria os músculos do rosto aguardando um sorriso convincente, me julgaria com ótimo estado de espírito sempre lembrando a mim mesmo que estaria bem, não depositaria em outrem os sentimentos que estavam prestes a escapar do meu ser, e também que os domaria como possível fosse. Estou tendo sucesso, ao menos em partes.
     Ora, pois! Ao questionarem-me como estou - mesmo não ligando para qual seria minha resposta - forço um sorriso e deixo escapar de meus lábios a palavra bem. Como sou dependente da minha memória para isso, vez ou outra lembro de perguntar o mesmo ao curioso, quiçá lembre de forçar um riso. Também faço tentativas de calmar meus ânimos. Tento segurar dentro de mim o que deveria ser exposto. Não exatamente deveria, mas me faria bem. Ninguém liga pra isso, o que sinto ou deixo de sentir passou a ser apenas palavras jogadas ao vento, mas que ricocheteiam acima de minha cabeça, e não sevem para nada mais além de perturbar a minha mente.
     E são entre meio esses devaneios, que meus dias se resumem. Verossímil, nada além disso. Costumo ser irônico e sarcástico, mas estou sendo nem um pouco no momento... desculpe, costumava! Com um turbilhão de pensamentos sendo metralhados no oco do meu cérebro, confundir tempos verbais é o mínimo que me acontece! Quem dera fosse apenas isso! Confundo eu mesmo sempre que abro os olhos pela manhã, por exemplo.  Mais enfadonho impossível! Tenho que voltar na minha memória e lembrar o que se passava na minha cabeça e quais sentimentos estavam entre isso quando resolvi deitar na noite anterior. Mais fácil ter sido na madrugada do mesmo dia, já que meus hábitos não colaboram como deveriam. Mas isso não vem ao caso.
     Não que eu tenha que lembrar quais foram eles para não ter um dia privado disso, ótimo se fosse. Mais do que ótimo, aliás. Mas não é bem assim. Lembro, pois tenho que saber como deverei agir após passar por aquela porta de mogno antiga, sair pras ruas e encontrar pessoas que talvez estejam como eu, - mas estão realmente seguindo o que foi proposto por eles mesmos - e chegar em lugares onde se encontram outras  pessoas, mas que dessa vez, são as mesmas que compõem minha mente insana.
     Custo a entender que acabou o que não começou. Custo a entender o porquê de ter acabado o que não havia começado. Me martirizo à procura de tais respostas, e novamente, um amontoado de ideias desnecessárias e sem nexo surgem tentando me enlouquecer. E não esporadicamente, essa é a razão dos meus dias estarem sendo assim.
     Seria algo muito estereotipado eu me perguntar onde errei? Ou então exigir de mim mesmo uma resposta para "o que eu poderia ter feito de diferente"? Não, não seria. Deixa de ser clichê quando se é verdade. Aliás, é daí mesmo que vem a apalavra. Que seja, outra coisa que não vem ao caso no momento. Pra ver como minha linha de raciocínio nunca é contínua, sempre algo invade uma ideia antes de outra ser terminada. Esse que sou.
     Meus dedos deslizam freneticamente sobre a superfície gasta das teclas. Digito como se o mundo fosse acabar. Não, não exagerarei dessa vez. Corrigindo: Digito como se alguém fosse ler esse amontoado de palavras que estão sendo içadas da minha memória. Isso. Caso exista alguém do outro lado da tela, que não seja eu em nenhuma de minhas fases, mande um sinal, até de fumaça serve, me esforçarei para entender. Ou talvez alguém leia, talvez só não chegue até esse ponto, ou nem até a metade... caso isso aconteça, sinto-me conversando comigo, um monólogo sem fim. Mas prometo que um dia aprenderei escrever direitinho. Escreverei tão bem, que quem ler, lerá em voz alta, com as entonações certas, na frequência do meu pensamento. Até lá, desculpe pela confusão psíquica que estou lhe causando, apenas me esforço para soar bem aos ouvidos, apenas... sinto muito.
     Então, me resta lamentar, assentir e talvez concordar. Quiçá sejamos felizes em alguma utopia, ou em outra espécie de devaneio presente nos meus dias... não consigo definir se é cedo ou tarde para falar algo do tipo. Enquanto isso, cá estou eu, - da mesma forma como comecei esse embaralhado de palavras - à procura da resignação.


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