Tuesday, October 23, 2012

Do/Did you believe?


     Não existe acreditar ou não em amor. Amor não é Deus, não é algo que os indivíduos criam em busca de consolo e explicações para o que não entende, não é destino. Amor existe. E é um conjunto de acasos, de chutes e toques embaixo da mesa, de mãos diferentes tocando a mesma música ao piano; a música mais linda e cada dia mais nova, sem que ninguém desafine - mesmo que nunca a tenha ouvido. Sei lá, é a força que nos mantém junto de alguém que leia Paulo Coelho, de alguém que não leia at all, de alguém que não goste de música e que pense gostar porque ainda pensa que Nirvana é música, de alguém que pareceria estúpido em qualquer outra circunstância e que parecerá muito odioso um dia (você evita pensar nesse dia), mas que parece tão lindo agora quanto ninguém jamais foi. E que sempre parecerá alguma coisa porque quem amamos nunca passa batido.
     Amor é instinto. É o Universo que colide a cada instante e não nos reprime por tanto mimimi sobre a vida ser estática. É o seu pai e sua mãe chegando tarde da festa de noite e indo ao seu quarto te cobrir direito, dar um beijo no rosto, e é você ser tão bom em fingir que está mesmo dormindo. É também você crescer e chegar da festa e ver que um deles está jogado no sofá da sala porque quer também que você o cubra e beije e perceba que ele não está fingindo dormir, mas que se pudesse estaria. E que não pode por estar envelhecendo, por estar se fragilizando, mas que está ali ainda e que está muito orgulhoso de quem você se tornou. Mesmo que você tenha se tornado nutricionista.
     Pode ser o que te impulsiona a esquecer ou a lembrar, mas antes de mais nada o amor é o que te faz inventar. Inventar que se é feliz, inventar uma casa no alto do morro onde existem Pterodáctilos, unicórnios e uma vida eterna, e você na verdade não estar inventando sua vontade disso. De viver para sempre, quero dizer. Porque o amor existe tanto que mesmo quando não está em nós, basta pararmos para vê-lo passar um instantinho, para assisti-lo no formato das nuvens e perguntar-nos se elas também nos assistem, e percebermos que o amor move todas as coisas da alma e esse é um pensamento tão bom e bonito que subitamente acreditamos não só na vida quanto na nossa própria sorte em vivê-la.

                                                                                                       -Brenda Sodré

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